Chamada para trabalhos

 O “novo paradigma de mobilidade” trouxe concepções originais sobre movimento e deslocamento e desafiou os estudos migratórios ao acusar suas categorias de análise e metodologias como sendo estáticas, limitadas e, portanto, muito restritas para abarcar toda complexidade da “mobilidade” . De acordo com esse paradigma, embora nem todo movimento seja considerado imigração, todo tipo de migração deveria ser considerado mobilidade. Assim, o deslocamento transnacional de cientistas e investigadores/as através do globo seria melhor descrito como “mobilidade científica transnacional” ao invés de “migração científica” ou “migração acadêmica”.

Mobilidade científica transnacional pode ser entendida como o movimento de cientistas, Professores/as, pesquisadores/as, investigadores/as, pós-doutorandos/as e estudantes através de fronteiras nacionais e institutos, laboratórios, universidades e centros de investigação internacional. Tornou-se uma categoria fundamental de análise tanto porque a mobilidade internacional é, atualmente, parte indissociável da carreira acadêmica e científica, como porque diz respeito a produção de conhecimento e informação, recursos fundamentais para o crescimento econômico e social do mundo hoje em dia.

Embora a mobilidade de investigadores/as esteja relacionada principalmente com as redes de contato pessoal, tem havido investimentos significativos dos Estados em fomentar esse tipo de atividade, principalmente através de políticas migratórias especiais. E as próprias instituições também tem estimulado programas de intercâmbio, diplomas internacionais e atividades temporárias para ensino e investigação no estrangeiro.

Para ir além do debate que a a mobilidade científica traz em termos macros – políticas migratórias, assimetrias geopolíticas, processos de transferência de conhecimento, fuga de cérebros, e desenvolvimento econômicos – e dar visibilidade a perspectiva micro é fundamental considerar que embora a mobilidade científica diga respeito a uma elite intelectual não significa que as dinâmicas de hierarquia, exclusão e assimetrias de poder não estejam presentes. Portanto, o efeito da intersecção de marcadores de diferença – gênero, raça, idade, orientação sexual, etnia, nacionalidade, religião – também estão presentes como em qualquer outro fenômeno social. Finalmente, é inegável que o chamado “novo paradigma de mobilidade” resulta não somente em uma nova abordagem sobre os movimentos geográficos de cientistas e investigadores/as, como também revela escolhas políticas e ideológicas.

A partir dessas ideias algumas questões são levantadas para guiar nosso simpósio: cientistas e investigadores/as são diferentes de imigrantes comuns? Quais as implicações sociais e políticas do “novo paradigma de mobilidade” para pensar a mobilidade científica? Como marcadores de diferenças – gênero, raça, classe ou nacionalidade – moldam a mobilidade científica internacional? Quais os efeitos da mobilidade científica internacional na produção e circulação de conhecimento? As hierarquias geopolíticas também tem um papel na mobilidade científica transnacional? Os Estados nação deveriam regular a mobilidade científica transnacional através de políticas especiais? Como as políticas neoliberais influenciam a mobilidade científica? As dinâmicas de poder pós-coloniais estão presentes nas experiências de mobilidade científica transnacionais?

 

Tópicos para a conferência (sugestão de temas)

 Mobilidade científica transnacional & imigração qualificada: o objetivo deste tópico é discutir as implicações políticas e sociais de analisar os deslocamentos transcionais de cientistas e investigadores/as baseado na ou abordagem dos estudos migratórios ou do “novo paradigma da mobilidade”.

Classe, raça, nacionalidade e mobilidade científica transnacional: o objetivo aqui é refletir como a intersecção de marcadores de diferenças moldam a experiência de cientistas e investigadores/as internacionais.

Gênero e  mobilidade científica transnacional: nesta seção objetiva-se discutir como se estabelecem as experiências de mobilidade cientifica das mulheres, levando em consideração o patriarcado, o sexismo e o androcentrismo presentes na nossa sociedade.

Hierarquias geopolíticas e mobilidade científica transnacional: a proposta deste tópico é debates os efeito das hierarquias geopolíticas resultante das assimetrias econômicas e políticas e das relações pós-coloniais nas dinâmicas de mobilidade científica.

Produção e circulação de conhecimento e mobilidade científica transnacional: baseado nas discussões sobre “fuga de cérebros”, “ganho de cérebros” e “circulação de cérebros” o objetivo desta secção é refletir sobre a relação entre produção e circulação de conhecimento e mobilidade científica transnacional, com atenção especial à perspectiva do país de origem.

Neoliberalismo, ciência e mobilidade científica transnacional: a partir das análises que mostram o avanço do neoliberalismo na esfera cientifica, este tópico almeja discutir seus efeitos na mobilidade científica transnacional.

Mobilidade científica transnacional e regulação legal: ao considerar que o Estado nação ainda é um dos principais atores na regulação das fronteiras – entrada, permanência e expulsão – o objetivo deste tópico é debater seu papel nas dinâmicas de mobilidade científica transnacional.

 

Formato dos Resumos:

 300 palavras, Times New Roman, 12.

Idioma: Português, Español, English.

Prazo: 10 de abril de 2015

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